Bodas de ferro - João Paulo Siqueira

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23/03/2011

Bodas de ferro - João Paulo Siqueira

23/03/2011
Bodas de ferro - João Paulo Siqueira

Publicado no Diario de Pernambuco - 23.03.2011

Inseridos numa sociedade com valores e hábitos em constante modificação e evolução, muitas vezes não nos damos conta que costumes e referências são alterados e passam a ser valorados de maneira distinta de tempos atrás. Vivemos num mundo que velocidade é palavra de ordem, que o ´ficar` é um hábito natural e o divórcio é fato cotidiano, não sendo mais visto como uma mácula na vida das pessoas.

Diante disso e cientes que as leis são frutos das relações intersubjetivas e dos anseios sociais e que o Direito, assim como todas as áreas do conhecimento está em constante transformação, o ordenamento jurídico aceita e protege as diversas entidades familiares existentes, cria normas viabilizando e facilitando a dissolução de uma relação, dentre outras medidas para se adequar à realidade social.

Faço esta exposição para chegar ao ponto central da questão: o casamento, que parece estar perdendo o status e a importância que já teve. Essa união que representa a intenção mútua de oficializar uma situação fática, constituir uma família e uma vida em comum é um marco na vida de quem a celebra.

Porém mais importante que a celebração do casamento é a comemoração dos aniversários dessa união. No primeiro ano comemora-se bodas de papel, aos 25 anos comemora-se as bodas de prata e parece que diante da raridade de presenciarmos relações tão duradouras, o ápice desses festejos são os 50 anos de casamento, as bodas de ouro, o jubileu, mas não, se o tempo permitir, a saúde resistir e o amor perdurar, podemos presenciar um acontecimento raro: a celebração de Bodas de Ferro, um casamento de 65 anos.

Sabe-se que o ferro representa a solidez, é um dos elementos mais abundantes na natureza e um dos principais componentes do núcleo da Terra, e uma união baseada no respeito, companheirismo e amor, pode ser forte, resistente e duradoura como o ferro e ser um modelo para todas as gerações.

Meus avós, Luiz Virgínio de Siqueira e Ana Siqueira ao completarem 65 anos de casadosdão um exemplo que o casamento pode sim ser um enlace duradouro e possível. Dessa forma, eles passam um legado para todos. 

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