Basta um “X” viário sobre as favelas - Mario Gil Rodrigues Neto

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16/03/2010

Basta um “X” viário sobre as favelas - Mario Gil Rodrigues Neto

16/03/2010
Basta um “X” viário sobre as favelas - Mario Gil Rodrigues Neto

Publicado na Folha de Pernambuco - 16.03.10

Basta, realmente, se construir um simples “X” viário sobre as favelas para se começar, radicalmente, a mudar a vida de milhares de pessoas.

Com experiência profissional ligada aos contingentes urbanos, movimentos populacionais, cooperativas habitacionais, chego a esta conclusão. Comecei minha vida profissional nos anos 70, como Oficial de Gabinete, na Secretaria de Assuntos jurídicos da Prefeitura do Recife. Nesta época me deparei com processos atinentes a abertura e alargamento das principais avenidas recifenses.

Como Procurador do Estado militei com projetos, construções, ocupações e desocupações de vários conjuntos habitacionais. Como advogado participei de vários processos de ocupação desordenada. Inclusive em várias ações possessórias e reivindicatórias. No meio rural, de igual forma, participei, advogando, de inúmeras desocupações de áreas. Fui Professor Universitário da Cadeira de Legislação Urbana na FAUPE. Estudei a Lei.

Estas experiências me dão condição de constatar que a marginalidade assola nos locais em que não existe acesso fácil.

Expor vidas em esporádicas operações policiais, para combate a drogas e prisão de bandidos, não gera estabilidade, segurança, desenvolvimento.

Nos locais em que se deu ocupação desordenada, sem livre acesso, sem ruas irrigando a circulação, a marginalidade, a droga, o crime se firma. Inversamente, nas regiões de fácil acessibilidade, onde todos circulam, inexiste o tráfego de drogas e o crime organizados.

Em Recife a nossa Brasília Teimosa é um exemplo de um local que não conviveu, nem convive, com o crime organizado. E hoje é um exemplo de bom local para se viver. Fácil acesso, com boas vias de circulação, sempre foi uma constante em Brasília Teimosa.

Permitir, inicialmente, que policiais circulem, que todos possam ir e vir com facilidade, gera a impossibilidade da existência de esconderijos de bandidos, de fixação de pontos de compra-e-venda de drogas. Com a circulação da segurança vem a saúde, a educação, o esporte, os órgãos governamentais de apoio, as ONGs.

Com uma planta de uma favela, se projeta um “X” viário, com duas amplas vias cruzadas, com o ponto de encontro no centro da região, para se ter condições de, construindo estas avenidas, se erradicar o crime organizado e minorar a pobreza e a miséria social. Inicialmente se relocariam pessoas. Com o cadastramento dos ocupantes da área a ser desapropriada, se constrói imóveis, para estas pessoas, em troca dos valores resultantes das indenizações dos bens.

Dispondo o Município, o Estado ou a União de recursos, se pode, de logo, construir escolas formadoras de mão-de-obra profissional; postos de saúde; quadras polivalentes para esportes; dentre outras obras indispensáveis ao homem atual. Inexistindo recursos, basta projetar tais benfeitorias, para construção futura.

Grandes cidades brasileiras, com suas favelas, a exemplo do Rio de Janeiro e de São Paulo, podem fazer uma experiência, passando um “X” viário sobre tais áreas. Os resultados serão positivos para todos, governantes e governados. E principalmente para os moradores de tais localidades. Estas avenidas em “X” são menos custosas do que o preço social do crime e da condenação dos inocentes úteis que são obrigados a viver nestes locais, próximos da civilização e longe do sentimento de paz social. Com as avenidas, em “X”, se propiciará a chegada da polícia, da ambulância, da escola profissionalizante, do esporte, do desenvolvimento e, acima de tudo, da cidadania.
 

 

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