Basta um "X" viário sobre as favelas - Mario Gil Rodrigues Neto

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12/03/2010

Basta um "X" viário sobre as favelas - Mario Gil Rodrigues Neto

12/03/2010
Basta um "X" viário sobre as favelas - Mario Gil Rodrigues Neto

Publicado no Diario de Pernambuco - 12.03.2010

mgr@jdgr.com.br

Basta, realmente, se construir um simples "X" viário sobre as favelas para se começar, radicalmente, a mudar a vida de milhares de pessoas. Com experiência profissional ligada aos contingentes urbanos, movimentos populacionais, cooperativas habitacionais, chego a esta conclusão. Comecei minha vida profissional nos anos 1970, como oficial de gabinete na Secretaria de Assuntos jurídicos da Prefeitura do Recife. Nesta época me deparei com processos atinentes a abertura e alargamento de várias avenidas, a exemplo da Caxangá, da Agamenon Magalhães, da Conde da Boa Vista, do Cais do Apolo, da Abdias de Carvalho, da José Osório (minha casa), da demolição da famosa Igreja localizada no centro da Dantas Barreto.

Como procurador do Estado militei com projetos, construções, ocupações e desocupações de vários conjuntos habitacionais. Como advogado participei de vários processos de ocupação desordenada. Inclusive em várias ações possessórias e reivindicatórias, a exemplo da desocupação da famosa Zona do Pina (atual JCPM). No meio rural, de igual forma, participei, advogando, de inúmeras desocupações de áreas. Fui professor universitário da cadeira de Legislação Urbana na Faupe. Estudei a Lei.

Estas experiências me dão condição de constatar que a marginalidade assola nos locais em que não existe acesso fácil. Expor vidas em esporádicas operações policiais, para combate a drogas e prisão de bandidos, não gera estabilidade, segurança, desenvolvimento.

Nos locais em que se deu ocupação desordenada, sem livre acesso, sem ruas irrigando a circulação, a marginalidade, a droga, o crime se firma. Inversamente, nas regiões de fácil acessibilidade, onde todos circulam, inexiste o tráfego de drogas e o crime organizados. Em Recife a nossa Brasília Teimosa é um exemplo de um local que não conviveu, nem convive, com o crime organizado. E hoje é um exemplo de bom local para se viver. Fácil acesso, com boas vias de circulação, sempre foi uma constante em Brasília Teimosa. Permitir, inicialmente, que policiais circulem, que todos possam ir e vir com facilidade, gera a impossibilidade da existência de esconderijos de bandidos, de fixação de pontos de compra-e-venda de drogas. Com a circulação da segurança vem a saúde, a educação, o esporte, os órgãos governamentais de apoio, as ONGs. Com uma planta de uma favela, se projeta um "X" viário, com duas amplas vias cruzadas, com o ponto de encontro no centro da região, para se ter condições de, construindo estas avenidas, se erradicar o crime organizado e minorar a pobreza e a miséria social. Inicialmente se relocariam pessoas. Com o cadastramento dos ocupantes da área a ser desapropriada, se constrói imóveis, para estas pessoas, em troca dos valores resultantes das indenizações dos bens. Dispondo o município, o estado ou a União de recursos, se pode, de logo, construir escolas formadoras de mão de obra profissional; postos de saúde; quadras polivalentes para esportes; dentre outras obras indispensáveis ao homem atual. Inexistindo recursos, basta projetar tais benfeitorias, para construção futura.

Grandes cidades brasileiras, com suas favelas, a exemplo do Rio de Janeiro e de São Paulo, podem fazer uma experiência, passando um "X" viário sobre tais áreas. Os resultados serão positivos para todos, governantes e governados. E principalmente para os moradores de tais localidades. Estas avenidas em "X" são menos custosas do que o preço social do crime e da condenação dos inocentes úteis que são obrigados a viver nestes locais, próximos da civilização e longe do sentimento de paz social. Com as avenidas, em "X", se propiciará a chegada da polícia, da ambulância, da escola profissionalizante, do esporte, do desenvolvimento e, acima de tudo, da cidadania.
 

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