Arte nas Escolas - Pedro Nunes Filho

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20/03/2011

Arte nas Escolas - Pedro Nunes Filho

20/03/2011
Arte nas Escolas - Pedro Nunes Filho

Publicado na Folha de Pernambuco - 20.03.2011

É uma terceira dimensão que enriquece o projeto pedagógico existente em qualquer escola. O ensino das artes precisa ser valorizado como uma forma de acrescentar à formação dos alunos uma dimensão voltada para a criatividade.

Trata-se de atividade que estimula o espírito indagador e a curiosidade científica. O pensamento criativo é exploratório, inovador e aventureiro. Por isso, o aluno criativo é impaciente com tudo o que é convencional. É permanentemente atraído pelo desconhecido e pelo indeterminado. Desafio, risco e a incerteza o estimulam. Já o pensamento não  criador é cauteloso, metódico e conservador. Tende a aceitar regras impostas e dá preferência ao que lhe chega às mãos, pronto. Além disso, valoriza em excesso a informação e a força da memória.

Todo pai gostaria que seus filhos fossem criativos. Poucos, porém, são os que fazem algo neste sentido. Importa lembrar que educação autoritária tolhe a capacidade de criar porque impõe regras em excesso. Muitos pais e professores matam a criatividade das crianças logo nos primeiros anos. Deveriam estimular a fantasia, a fim de que crescessem fecundas. Nenhuma criança deixa de ser criativa por si mesma. Elas perdem essa habilidade mental, premidas por adultos que lhes impõem regras e atitudes realistas.

A criatividade não se limita às artes. Tão criativo quanto o artista é o cientista. A invenção, o pensamento experimental de quem se dedica às ciências e a criação estética do artista têm muitos pontos em comum. Tanto o artista quanto o cientistas se utilizam de experiências prévias para obter novas configurações e avançar sobre terreno ainda não explorado. 

Psicólogos especializados em cognição insistem que o pensamento criador é decorrente de conexões mentais. Por isso, quanto mais associações adquirir uma pessoa, mais ideias terá à sua disposição e mais criativa se torna. Faz sentido. Acho que os psicólogos estão certos. Por isso, vale a penas seguir suas orientações.

O fato é que, cada professor, independentemente da disciplina que ensine, tem a obrigação de estimular a criatividade de seus alunos. Aliás, uma das funções importantes de um professor é conduzir os alunos ao ato de pensar e criar, ensinando-lhes a avançar em direção ao novo, desenvolver sua imaginação e paixão pelas descobertas pessoais.

Em cada escola, há professores de artes, mas a todos cabem valorizar o pensamento criativo. Toda disciplina possui espaço para a criatividade. A língua portuguesa é uma delas. A produção de texto depende muito de criatividade. Sem esse elemento, o aluno emperra e não consegue escrever as primeiras linhas. O professor de redação precisa soltar a criatividade de seus alunos. Mais valem as ideias postas no papel que a correção da linguagem. Esta, como o tempo, se ajusta às regras da gramática. A criatividade tem que ser o primeiro passo. Caso contrário, se torna elemento de angústia, barreira quase intransponível. Ensino de Ciência e de Geografia sem o uso da criatividade não funciona. São duas disciplinas em que a construção, o reaproveitamento de materiais e a invenção valem muito e precisam ser elementos postos no primeiro plano. Que tal o professor de História? A história de uma cidade, pequena ou grande, é a história de suas construções e as histórias de vida de suas famílias desde dos tempos ancestrais. Nesse campo não há limites para pesquisa, descoberta e criatividade. 

Todos os elementos da vida são articulados uns com os outros na formação de um todo que não pode ser fracionado sob pena de se tornarem incompreensíveis. Pergunto: Por que, em alguns momentos, professores de Português, Ciências, História, Geografia e Artes não se articulam para uma produção conjunta? Quem pergunta é um leigo. Validar a proposta e torna-la realidade  cabe a quem ensina.

Há professores de arte que só funcionam se as prateleiras da escola estiverem cheias de tintas, pincéis, papéis, colas e tudo mais que custe dinheiro. Acho que o próprio professor tem que ser criativo. Na ausência de materiais, que tal trabalhar com sucatas? Elas são de uma riqueza ilimitada. Imagine o professor que trabalhe numa cidadezinha do interior ou em ambiente rural. Existe a seu alcance uma infinidade de elementos da natureza que não se comparam à artificialidade de materiais industrializados. Para a mente criativa, tudo é possível. Quanto maiores os desafios, melhores os resultados.

O professor que se preocupa excessivamente com a disciplina, cria comportamentos padronizados e mata a criatividade que poderia brotar no ambiente pedagógico. Criatividade reclama ambiente de liberdade, diálogo e autonomia. Espaços pedagógicos repressores, organizados com excesso de exigências e preocupados apenas em transmitir muitas informações e conteúdos, ao invés de ampliarem a cognição, estreitam o espírito humano, tornando o aluno conservador e sem jogo de cintura para enfrentar os desafios da vida.

Bom mesmo é que A ARTE torna o ser dialogal! 

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