
Notícias
06/07/2011Ao mestre Paulo Renato com carinho - Silvio Amorim
06/07/2011
Publicado no Diario de Pernambuco - 06.07.2011
silvioamorim2008@hotmail.com
O Brasil de hoje e principalmente o do futuro vai dever muito a Paulo Renato Souza. Sua morte aos 65 anos não é uma perda só dos seus, é uma ausência insubstituível de um dos melhores pensadores, idealizadores, formulador e executor de políticas públicas voltadas à educação brasileira, com foco especial no ensino fundamental, onde se encontra a maioria do alunado brasileiro e onde está a população que mais necessita da atenção do poder público.
Quando Paulo Renato chegou ao Ministério da Educação, em 1995, tendo Fernando Henrique Cardoso como presidente da República, trazia na bagagem uma experiência acumulada que, junto com seu exemplar espírito público, vontade política e competência executiva, fez, durante oito anos, a maior revolução no ensino fundamental e técnico desde Anísio Teixeira, de forma universal e na medida exata das carências de uma educação que embolava em discursos e promessas, passando por eleições e governos. A proposta era transformar definitivamente a educação brasileira.
Em 1995, 89% das crianças de 7 a 14 anos estavam na escola. Já no ano 2000, chegava próximo a 100%. Paulo Renato criou o Fundef – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, uma engenharia política inteligente e, ao mesmo tempo, uma reforma tributária a favor das crianças, dos professores, da educação. Esse foi o seu feito mais visível. Poderíamos enumerar dezenas de grandes ações que desenvolveu à frente do Ministério. As mais importantes foram: a implementação de novos conceitos, novos comportamentos e posturas diante da grande obra que é a educação.
Os novos conceitos não foram bem compreendidos pelos professores e gestores das universidades brasileiras, aquelas que consumiam a melhor parte do Orçamento da União determinado ao Ministério da Educação. O foco do MEC foi mudado e as prioridades passaram a ser as crianças, as professoras e professores do Ensino Fundamental e seu piso salarial, inclusão, educação especial, avaliação, condições físicas das escolas, capacitação, dinheiro na escola, merenda, etc. Tudo isso acontecendo ao mesmo tempo como uma sinfônica afinada.
Nos oito anos de gestão de Paulo Renato no Ministério da Educação, tive o privilégio de compartilhar do seu trabalho em várias frentes. Foram anos produtivos, nos quais vi o início de um processo que levaria o povo brasileiro que mais precisava do aparelho estatal ser acolhido para ter uma real oportunidade de mobilidade social.
Ainda há muito o que se fazer pela educação, mas Paulo Renato Souza criou os instrumentos e ferramentas necessárias para alavancar a educação no Brasil.
Ele vai fazer falta. Muita falta.
