Antônio Maria - Antônio Campos

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28/03/2011

Antônio Maria - Antônio Campos

28/03/2011
Antônio Maria - Antônio Campos

Publicado na Folha de Pernambuco - 28.03.2011

O ano de 2011 será marcado por datas importantes para o calendário literário nacional e do Estado de Pernambuco. No último dia 17 de março, o cronista e compositor Antônio Maria, se vivo, completaria 90 anos de arte e Literatura. Além dele, o escritor, sociólogo e meu tio, Renato Carneiro Campos, faria 80 anos de idade, sendo boa parte dedicada à cultura pernambucana e aos estudos da Sociologia. Ambos escritores e boêmios. 

Autor da famosa canção “Ninguém me Ama”, o pernambucano Antônio Maria Araújo de Morais foi, ainda, jornalista, cronista, roteirista de TV, compositor e rádioator. Na cidade do Rio de Janeiro, o escritor tornou-se o primeiro diretor de produção da TV Tupi e fez amizade com personalidades como Vinícius de Moraes, Luiz Bonfá, Aracy de Almeida e Ismael Netto, pessoas que passaram a compartilhar a vida na boêmia carioca com Maria. Com Vinícius, compôs “Dobrado de amor a São Paulo”. Porém, o compositor também fez história na Veneza brasileira e deixou aos recifenses canções de frevo, hoje, imortalizadas durante os carnavais da Cidade. Que o diga o Frevo nº 2 do Recife.

Em sua atuação como cronista, Antônio Maria praticou, diariamente, o dom de escrever, chegando a assinar cerca de 3 mil textos em 10 anos de dedicação às crônicas feitas no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, onde construiu a sua fama e foi reconhecido. O escritor também teve passagem em emissoras de rádios dos estados da Bahia e de Fortaleza, regiões que o apresentaram a Dorival Caymmi e Jorge Amado. Bastaria a sua música Manhã de Carnaval para lhe imortalizar. Dizem que, quando Nat King Cole se apresentou no Copacabana Palace, na década de 1960, mandou chamar para o show o autor de Manhã de Carnaval, que foi acompanhado dos então jovens Vinícius de Moraes e Tom Jobim. Bela e marcante a amizade de Maria com a eterna Dolores Duran, que faleceu aos 29 anos. 

No ramo musical, Maria uniu o seu talento ao legado deixado por outros grandes músicos, como menciona o escritor Joaquim Ferreira dos Santos. “O que Antônio Maria fazia era samba-canção. Não tinha nada de bolero. Ele não inventou nada, mas ouviu direitinho a lição dos mestres que vieram antes e traduziu para os anos 1950. Deu ao gênero suas cores definitivas: o preto e o cinza”, disse.

O escritor, desde criança, sofria de doença cardíaca e, ciente disso, escreveu: “Com vocês, por mais incrível que parece, Antônio Maria, brasileiro, cansado, 43 anos, cardisplicente (isto é: desdenha do próprio coração). Profissão: esperança”. Em 1964, Antônio Maria sofreu um enfarte e faleceu. 

Até os dias atuais, o Brasil lamenta a perda do ilustre pernambucano. Maria deixou um legado louvável e presenteou a todos com a crônica “Café Com Leite”, que começa dizendo: ”É preciso amar, saber? Ter-se uma mulher a quem se chegue, como o barco fatigado à sua enseada de retorno. O corpo lasso e confortável, de noite, pede um cais. A mulher a quem se chega, exausto, e com a força do cansaço, dá-se o espiritualismo amor do corpo [...] O homem só tem duas missões importantes: amar e escrever à máquina. Escrever com dois dedos e amar com a vida inteira”. Antônio Maria foi um dos maiores cronistas e compositores do Brasil e está eternizado na força de suas palavras. 


 

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