Andanças por Portugal - João Bosco Tenório Galvão

Notícias

08/11/2010

Andanças por Portugal - João Bosco Tenório Galvão

08/11/2010
Andanças por Portugal - João Bosco Tenório Galvão

Publicado no Diario de Pernambuco - 08.11.2010

jbtg@uol.com.br

viajar é ato de nossas fantasias. Já conhecia Portugal foram dezenas de viagens realizadas com a pressa do turista ávido, algumas vezes em excursões. outras ficando em Lisboa e arredores. Porém, sentia ser necessário buscar as raízes de Portugal para compreender melhor nossos patrícios. Tinha de ser uma viagem de convívio em pequenas cidades, visitando famílias seus costumes e suas cozinhas. Ou melhor, dizendo o jeito de viver do lusitano, o português do norte.

Feitas as malas entre o 1º e o 2º turno das eleições presidenciais, aceitei o convite de meu amigo Alberto Varela e fui descansar em Vila Nova do Famalicão localizada entre o litoral, Póvoa do Varzim e Guimarães cidade berço da nação portuguesa. Achei o que queria o que imaginava. Famalicão cidade com uma aparência bem cuidada tem uma semelhança com as cidades de nosso interior, com a diferença da absoluta limpeza de suas ruas e da evidente presença da administração pública em favor da população, esta de amável gentileza para com os brasileiros.

Em Famalicão não vi miséria nem sujeira. A cidade é o que chamamos de brinco! Andava pelas ruas a qualquer hora com plena sensação de segurança. Fizemos de Famalicão a base para conhecer seus arredores, como Póvoa do Varzim e Guimarães, entre outras, cidades tão próximas e bem distintas em seus atrativos. Como um dos motivos imaginados para a viagem era o conversar, o comer e o beber, manifestei minha preferência por locais populares. Santa preferência! Foram bacalhau à lagareiro, maravilhosos cabritos assados, rojões com papas de sarrabulho, sempre com bons vinhos maduros, pois os verdes me afetam. Eram de fato restaurantes freqüentados por operários, comerciários, profissionais liberais, pois lá não existem as distancias sociais brasileiras. Banheiros com higiene nota dez. Lembrei-me dos WCs de nossas beiras de estradas e até de alguns dos nossos restaurantes citadinos, cadê a vigilância sanitária?

Em Póvoa do Varzim, balneário onde o grande romancista Camilo Castelo Branco banhava-se em suas águas ricas de iodo tentando arrefecer as sequelas da sífilis, de novo me surpreende a organização urbana e seu evidente planejamento. Tudo é pensado por décadas adiante. Áreas habitacionais, escolas, comércio, lazer, escolas e vagas, saúde sem filas, prevenção de segurança, tudo pensado e repensado. Não ouvi nenhuma referência à corrupção administrativa, lá a administração municipal é exercida pelo Presidente da Câmara de Vereadores... De novo banquetes em restaurantes de simples pescadores, tudo do mar provei e muito, graças a Deus.

De Póvoa, fomos várias vezes à Guimarães, situada no distrito de Braga, nela foi fundada a nacionalidade portuguesa, pois, lá está escrito Aqui nasceu Portugal. A cidade foi totalmente restaurada e assim é mantida, rigorosamente preservada, sendo considerada riqueza cultural da humanidade. Lembrei-me do belo bairro do Recife sempre a necessitar de restauro. 

Voltar