Advogar para quem? - Marco Pólo Campos

Notícias

14/05/2009

Advogar para quem? - Marco Pólo Campos

14/05/2009
Advogar para quem? - Marco Pólo Campos
Publicado no Diario de Pernambuco - 14.05.2009

Os clientes estão desaparecendo dos escritórios de advocacia. O alerta é de especialistas que têm observado a classe média encolher nos últimos anos. Empobrecida pela crise econômica. As maiores vítimas têm sido advogados que trabalham por conta própria.

A crise na classe média levou a diversas mudanças complexas na estrutura de consumo e renda. Os impactos dessa crise não são sentidos apenas pelos assalariados. Profissionais liberais como advogados que prestam serviços para a classe média são afetados por essa redução do poder aquisitivo. Da década de 80 para cá, a diminuição do poder aquisitivo desses profissionais liberais sofreu uma redução média de pelo menos 40%.

A situação ainda é agravada pelo aumento da concorrência. A cada ano, as universidades estão formando mais profissionais. É mais gente no mercado disputando uma renda que está encolhendo.

O achatamento da classe média está afetando os profissionais de atuam nas mais diversas áreas da advocacia. A classe média busca na Justiça soluções para seus problemas e estão deixando de procurar os escritórios.

Alguns pequenos escritórios têm encontrado dificuldade para se manter. No fim do mês, têm de "apertar o cinto" para pagar todas as contas.

A crise na classe média também está refletindo nas salas de aula das faculdades, a maioria dos alunos do curso de Direito estão interessados apenas em prestar concurso público. Uma questão cultural da busca pela estabilidade no emprego. Hoje muitas empresas demitem advogados que se aproximam dos 40 anos para contratar recém-formados pagando menores salários. Paralelamente, a nossa Justiça mesmo provida de novos prédios com instalações adequadas, continuam com uma infraestrutura de funcionários mal remunerados sem perspectivas de ascensão de cargos e melhores salários, atendendo em sua maioria advogados ansiosos e angustiados em busca de soluções e resultados para os seus clientes, inclusive com a normal e costumeira insistência de "falar" com o Dr. Juiz, os quais principalmente de primeira instância, assoberbados com o acúmulo de antigos processos, antes do advento da informática em sua maioria não conseguem atender a grande demanda inclusive exercendo as suas funções em finais de semana.

Assim sendo, todos os advogados que trabalham sozinhos estão enfrentando essa crise, aguardando as promessas dos compromissos assumidos pelos atuais políticos.

Voltar