"Advogado é o mediador dos conflitos da sociedade”, diz Alceu Valença
28/05/2014
Brasília – O cantor e compositor pernambucano Alceu Valença será a grande estrela do show OAB Cidadã, nesta quinta-feira (29), em Recife, evento promovido pela OAB Nacional em parceria com a OAB-PE. Abrindo o Colégio de Presidentes da Ordem dos Advogados do Brasil, a apresentação é gratuita, mediante doação de 1 kg de alimento não perecível, que será doado para a Fundação Terra. O show começa às 20h, no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem.
Confira abaixo entrevista exclusiva de Alceu Valença à OAB, na qual ele fala sobre seu passado como advogado, a importância do direito na vida das pessoas e sobre como a profissão lhe ajudou a encontrar sua verdadeira vocação, a música.
OAB - O show será promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil e o senhor estudou direito na sua juventude. O que o atraiu no estudo do direito?
Alceu Valença - O Direito sempre esteve próximo a mim. Meu pai, Décio de Souza Valença, foi procurador do Estado e deputado constituinte. Foi ele quem me influenciou a passar na Faculdade de Direito do Recife. Cheguei a trabalhar como advogado no escritório do meu primo, Clávio Valença. Na mesma época, eu queria ser poeta e publicava meus escritos nos cadernos de literatura dos jornais de Recife. Depois vieram os festivais e a música me capturou de vez. Mas continuo próximo do Direito. Minha mulher e empresária, Yanê Montenegro, é advogada, assim como boa parte dos meus melhores amigos também o são.
OAB - Qual a importância da profissão de advogado?
Alceu Valença - O advogado é o grande mediador das questões e conflitos mais agudos de nossa sociedade. E o bom advogado deve necessariamente ser dotado de cultura, conhecimento, sensibilidade. Precisa ter conhecimentos em áreas como História, literatura, psicologia e manter um diálogo constante com o mundo que o rodeia, com a sociedade em que vive e para a qual trabalha.
OAB - Pode nos contar sobre o período que estudou em Harvard?
Alceu Valença - Quando estava na faculdade de Direito, fui aprovado para participar de um programa de estudantes do mundo inteiro, em Harvard, nos EUA. A ideia do programa era identificar futuras lideranças em diversos países. Eu não sabia uma palavra de inglês, mas a banca examinadora ficou intrigada com a minha redação, que fazia uma analogia entre o marxismo e o cristianismo. Ao chegar lá, depois das aulas e palestras, eu costumava tocar violão nas praças de Boston. Cantava principalmente as emboladas, baiões e martelos agalopados da minha terra. Aí veio um jornal local fazer uma entrevista comigo. Perguntaram que tipo de música eu e fazia e eu respondi: “É protest song!”. No dia seguinte a manchete do jornal me apresentava como o Bob Dylan brasileiro. Eu não conhecia quase nada de Bob Dylan, mas foi aí que eu senti que este negócio de música poderia me levar longe.
OAB - Como será o show OAB Cidadã?
Alceu Valença - Tem os meus maiores sucessos, tem músicas de Luiz Gonzaga e ainda incluo um módulo com timbragem próxima ao rock, típica do início da minha carreira, nos anos 70. Como disse uma vez um jornalista do New York Times, Alceu Valença faz um rock que não é rock. Porque a base da minha música é sempre brasileira. É baião, xote, forró, embolada, frevo, maracatu, caboclinhos. A identidade da minha arte passa necessariamente por aí.
OAB - Quais músicas não podem ficar de fora?
Alceu Valença - As músicas que o público gosta de cantar. O artista se alimenta permanentemente da resposta do público. É o caso de “Tropicana”, “Anunciação”, “Belle du Jour”, “Táxi Lunar”, “Pelas Ruas Que Andei”, “Coração Bobo” e tantas outras.