Adeppe – 35 anos - Arthur Carvalho

Notícias

16/09/2009

Adeppe – 35 anos - Arthur Carvalho

16/09/2009
Adeppe – 35 anos - Arthur Carvalho

Publicado no Jornal do Commercio - 16.09.2009

Recebo o jornal da Adeppe, informativo mensal da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de Pernambuco. Quem me mandava sempre esse periódico era seu editor, o príncipe Tancrêdo Loyo, educado, competente e culto. O revisor da gazeta é o delegado e escritor Nivaldo Queiroz. A Adeppe completa 35 anos, hoje, 16 de setembro. Segundo Loyo, a Adeppe está inserida na busca do melhor caminho para garantir o sossego do cidadão e a defesa do ideário da Polícia Civil. "As justas, legais, legítimas e éticas lutas coorporativas da classe. A discussão de relevantes temas pertinentes à segurança pública." Em artigo para a folha da Adeppe, Loyo recorda alguns dos presidentes que engrandeceram a entidade, entre eles, Mário Alencar, Jayro Pontes, Roldão Joaquim, Mauro Fonseca Filho, José Belém, Gileno Siqueira, Fernando Ribeiro, Ricardo Varjal, Nair Buarque, Roberto Bruto e Joaquim Donato, sendo ele, Loyo, um dos ex-presidentes.

Conheci Jayro Pontes em 1953, quando vim morar no Recife. Ele residia na Torre e costumava atravessar a ponte para jogar pelada contra o time da Capunga. Seu ídolo era Castilho, a quem procurava imitar no gol do selecionado de seu bairro, integrado também pelo craque Laxixa, atualmente fora de forma, mas bom sujeito, de copo e de garfo.

Fomos colegas de turma, na Faculdade de Direito da Católica, quando ele era oficial de gabinete do coronel do Exército Egmont Gonçalves, então secretário da Segurança Pública. Fui padrinho de seu casamento com minha comadre Solange da Costa Carvalho e sou padrinho de Renatinha, filha do casal. Teria muito o que falar sobre Jayro, um dos maiores boêmios de Pernambuco, coração generoso, estimado e respeitado por seus companheiros, chegando a ser admirado pela caterva vermelha, pelo seu espírito democrático.

Naquela época, só havia um plantão de Polícia no Grande Recife. Era na Rua da Aurora, onde hoje está sediada a Secretaria da Segurança. Recém-formado, eu frequentava os plantões de Jayro, para assimilar alguma coisa. Jayro não costumava prender ninguém, a não ser agentes de crimes graves. Seu comissário de confiança, Lourival Paes, resolvia quase tudo: "Lourival, vou tomar um uísque com Dr. Arthur, no Gambrinus, só me chame se for bronca pesada." Não se falava em assalto, naqueles idos, e quem dava mais trabalho à justa era o lendário Lolita, que, drogado, na zona, resolvia desafiar os musculosos e "ingratos" soldados da Rádio Patrulha, pelos quais se declarava perdidamente apaixonado.

Num desses plantões, uma cena que nunca esqueci. Um crioulo forte, descalço, de calção, sem camisa, entrou na Secretaria, andando, conduzido por uma guarnição da RP. Tinha cerca de 1,80 metro e acabara de levar seis tiros de revólver calibre 38. Fora detido por ter matado com doze peixeiradasquem nele atirou, no Morro da Conceição, na festa da santa padroeira, durante libações alcoólicas. Lembro-me dos filetes de sangue que jorravam de seu corpo, nos buracos das balas. Jayro deu um esporro no cabo que comandava a guarnição, por ele ter levado o "indivíduo" para a delegacia e não para o pronto-socorro, na Rua Fernandes Vieira. Isso não se aprende na escola. Parabéns à Adeppe e ao seu comandante Arlindo Teixeira.

 

Voltar