A triste realidade - Arthur Carvalho

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12/05/2010

A triste realidade - Arthur Carvalho

12/05/2010
A triste realidade - Arthur Carvalho
Publicado no Jornal do Commercio - 12.05.2010

Por que os nossos cartolas não seguem o exemplo dos europeus? Na transmissão direta dos jogos da Itália e da Espanha, na TV, vemos os presidentes dos clubes sentados juntos na tribuna de honra torcendo por seus times e se cumprimentando depois da partida. Até quando nossos cartolas vão agredir covardemente jornalistas brasileiros no exercício de sua profissão no Brasil? O ato de tomar com violência material usado por repórter durante cobertura esportiva sem devolvê-lo, é comportamento lamentável. Coisa da Idade Média. Não tem desculpa.

Na crônica anterior falei sobre a falta de educação e o hábito do brasileiro de praticar pequenos furtos e trotes para os bombeiros, o 190 e o Samu. Na relação das maracutaias, estelionatos e outras falcatruas, me esqueci de contar uma que fez "sucesso", no princípio dos anos 50, nos cinemas do Rio de Janeiro. Nessa época, surgiram as máquinas de vender Coca-Cola. O freguês colocava uma moeda de não lembro quantos cruzeiros, numa fenda da máquina, e ela despejava o refrigerante gelado num copo de papel. Como o brasileiro é mais sabido e inteligente do que os outros povos todos reunidos do planeta Terra, logo surgiram os gênios da raça para amassar as tampinhas de cerveja, nos trilhos dos bondes, para elas ficarem bem amassadinhas, e passar no, como direi? Orifício das máquinas, substituindo os níqueis. Resultado: recolheram as máquinas, quase todas danificadas, e ninguém foi preso.

Nos fins dos anos 40, Recife (àquela época, a terceira cidade do Brasil e a mais limpa e bem iluminada da América Latina, sem esgoto borbulhando a céu aberto nas ruas do Centro comercial, sem camelôs vendendo mercadoria pirata chinesa, e infectas barracas de lanche, de alvenaria, nas calçadas, sem poluição sonora, sem fedentina e assaltantes, e com o São Luiz funcionando como cinema de luxo e não mictório, sem espetinho de gato servido com cachaça em plena via pública, com a Conde da Boa Vista espaçosa e livre, antes de se transformar em corredor da morte e curral de gente, com engarrafamentos quilométricos e mortificantes) – Recife tinha a melhor frota de ônibus do País, a Autoviária Pernambucana, de Vivi Menezes. E Salvador possuía os melhores, mais modernos e confortáveis bondes da América do Sul. Eles eram fechados, enormes, pintados de amarelo, as rodas da frente moviam-se de lado, acompanhando as curvas dos trilhos, de bitola larga, interior espaçoso, as poltronas lindas, forradas de couro verde. Com três meses de inauguradas as linhas, os vândalos saíram cortando as poltronas com gilete, canivete e navalha. E ninguém foi preso.

Perguntem à Oi quantos aparelhos de telefones públicos são danificados por mês pelos cafajestes, muitos em bairros pobres, sem outro meio de comunicação. Quantas mudas de planta e flores são furtadas diariamente dos jardins da Av. Beira-Rio e do Parque da Jaqueira? Quantos ônibus são depredados depois dos jogos de futebol, e os capadócios ficam impunes?

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