A Sustentabilidade começa em nossso bairro - Antônio Campos

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27/09/2010

A Sustentabilidade começa em nossso bairro - Antônio Campos

27/09/2010
A Sustentabilidade começa em nossso bairro - Antônio Campos

Publicado na Folha de Pernambuco - 27.09.2010

Na última quarta-feira comemorou-se mais uma edição do Dia Mundial Sem Carro. A data, comemorada pela primeira vez em 1998 na França, já possui adeptos nos quatro cantos do mundo. O Brasil participa desse importante movimento desde 2001 que, para ser realizado, precisa não apenas de apoio do poder público, como de cada um de nós. Passeios ciclísticos, caminhadas, panfletagens e palestras são alguns meios de despertar uma maior consciência ecológica por parte da sociedade. E é justamente nessa necessidade de reflexão que cheguei a conclusão de que não é apenas a preservação ambiental que deve ser estimulada. Devemos preservar também o patrimônio histórico para vivermos uma realidade mais amena e saudável.

Desde criança tive o privilégio de morar em um dos bairros mais privilegiados do Recife. Não apenas pela excelente localização, como também pela riqueza cultural que rodeava minha antiga casa na Rua do Chacon, no bairro Casa Forte. Tive o prazer de ter como vizinhos personagens importantes da história pernambucana como o escritor Ariano Suassuna, Gilberto Freyre, Miguel Arraes e o professor e escritor Vamireh Chacon de Albuquerque Nascimento, membro da tradicional família Chacon - homenageada, inclusive, pelo nome da rua. Mas não era apenas isso que me fascinava enquanto menino. As árvores seculares, os sobrados do século XIX e a serenidade com que as pessoas levavam suas vidas próximas à natureza me encantavam e despertavam em mim uma vontade de continuar perto daquela realidade intelecto-natural.

Assim como eu, outras pessoas se sentem intensamente ligadas a bairros como Apipucos, Casa Forte, Graças. Mas um em especial chama minha atenção, pois é difícil imaginar que em uma cidade com mais de 3 milhões de habitantes ainda seja possível encontrar um lugar com as características de uma pequena cidade ou distrito do interior. O Poço da Panela, considerado um dos bairros mais tranquilos do Recife, conservou suas principais características naturais e arquitetônicas. Praças arborizadas, ruas de pedras, casarões seculares e a igreja de Nossa Senhora da Saúde, fundada ainda no século XVIII, compõem o cenário mágico desse lugar que parece ter congelado no tempo.

Famílias tradicionais de Pernambuco escolheram o Poço da Panela como porto-seguro de suas futuras gerações. O mais ilustre morador das estreitas ruazinhas do Poço foi abolicionista e fundador do Clube do Cupim José Mariano Carneiro da Cunha que foi inclusive homenageado por meio de uma belíssima estátua de mármore e bronze feita pelo escultor Bibiano Silva, em frente à sua antiga residência. O monumento, erguido em oito de outubro de 1884, pelo Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, mostra o busto de José Mariano próximo a um escravo recém liberto. Infelizmente, nem todos sabem dar o real valor a obras de arte como esta. Recentemente a estátua foi depredada por alguém que, certamente, não sabe a importância da preservação do patrimônio, seja ele histórico, ambiental, arquitetônico ou imaterial. Tal monumento merece restauro imediato como demonstração de respeito aos valores históricos e culturais de nossa comunidade. 

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