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04/02/2010A saúde privada: uma escolha presidencial? - Mauricio Barreto Pedrosa Filho
04/02/2010
Publicado no Diario de Pernambuco - 04.02.10
mbpf64@ibest.com.br
A imprensa local, e também de todo o país, divulgou com alardes o internamento do presidente Lula em nossa capital, precisamente no Hospital Português - este que é o maior complexo hospitalar privado do Nordeste - devido a uma súbita crise hipertensiva na noite do dia 27 de janeiro p.p.. Ao sentir dores no peito já dentro do avião presidencial, ainda em solo pernambucano, e prestes a voar para a Suíça, o presidente foi forçado a cancelar viagem e terminou sendo atendido naquele magnífico nosocômio onde recebeu alta na manhã do dia seguinte e retornou à Brasília. Numa situação do gênero usualmente os socorristas prestam os primeiros cuidados e até decidem a qual médico, ou hospital, levarão o socorrido, pois que nem sempre o mesmo tem condições de opinar ou decidir a respeito. Creio que assim se deu com o nosso presidente. Eis que foi levado a um centro hospitalar privado (de excelência, evidente), distante da Base Aérea do Recife e não a um hospital estatal próximo daquela unidade militar como é o Hospital da Aeronáutica, situado na agradável orla da praia da Boa Viagem, que até prova em contrário, é um nosocômio razoabilíssimo, já albergou, e ainda alberga, bons nomes da medicina de Pernambuco, que aqui deixamos de declinar por não ser pertinente.
O que se passou com os socorristas do presidente ? O presidente da República, dentre outras coisas, é o comandante supremo das nossas Forças Armadas e por isso não é crível, nem razoável, que aquele hospital militar (tão próximo da Base Aérea do Recife), ou qualquer outro hospital público, não pudesse recebê-lo num momento delicado de saúde quando de sua passagem por Pernambuco, como também qualquer uma das UPAS (Unidades de Pronto Atendimento) que Sua Excelência veio aqui inaugurar. Diante do fato enfrentado por Sua Excelência não podemos deixar de dar-lhe o benefício da dúvida, pois como dito acima nem sempre o paciente socorrido tem condições emocionais ou físicas para decidir a respeito do médico, hospital, transporte, custo do atendimento e tratamento, etc. Todavia, a aludida situação vivida pelo presidente Lula, com o devido e indispensável respeito, salta aos olhos como uma grande incoerência, um divórcio entre o discurso e a prática, porque durante a tarde daquele dia (27.01.10) inaugurou ele a Unidade de Pronto Atendimento de Paulista, em apologia às melhorias da saúde pública no país, e ao cair enfermo na noite daquele mesmo dia foi atendido num grande centro hospitalar privado.
Segundo matéria divulgada no Diario de Pernambuco no dia 28.01.10 (fls a4) o nosso presidente teria então elogiado a UPA de Paulista ao dizer que "... a unidade estava tão bem estruturada que dava vontade de ficar doente". Depreende-se desse episódio que ele não confia no que pregou quando da festiva inauguração da UPA de Paulista? Ou o descrédito partiu dos seus socorristas? Afora isso, inserido o Chefe da Nação num contexto de inaugurações de prédios públicos destinados a atender gratuitamente à saúde da população, a dita escolha hospitalar desprestigiou sobremaneira os profissionais de saúde em Pernambuco que laboram em hospitais públicos e defendem ardorosamente as suas melhorias.
