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22/07/2009A mulher hoje - Luciano Pereira de Carvalho
22/07/2009
Publicado no Diario de Pernambuco - 22.07.2009
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Analiso hoje a posição da mulher no mundo atual. Bastante diferente de séculos passados. Quando a elas cabia o limitado desempenho doméstico. O cuidar dos filhos e da administração da casa. Enquanto o homem era o econômico, responsável exclusivo pela completa manutenção e sustento da família. Mas, paralelamente a esses fatos, a mulher era a musa, a enfeitada, a dócil, a santa. Tanto assim que Vitor Hugo (1802/1885) chegou a ressaltar os atributos da mulher da época, com as seguintes palavras: "O homem é a mais elevada das criaturas, a mulher o mais sublime dos ideais. Deus fez para o homem o trono, para mulher o altar. O trono exalta, o altar santifica". Depois disso, já no século 20, a mulher desceu do pedestal do altar, para irremediavelmente se dedicar à cozinha e o cuidar da prole. Essa fase era a da completa submissão; a mulher essencialmente doméstica. O que não queria dizer que a mulher não continuasse a ser exaltada e cantada em verso e prosa. Inclusive o cancioneiro popular, como Ataulfo Alves e Mário Lago, que exaltaram a Amélia: "aquilo sim é que era a mulher. Reconhecia que; "as vezes passava fome ao meu lado". "E achava bonito não ter o que comer". A elogiava dizendo; "e quando me via contrariado, dizia; meu filho, que se há de fazer?". "Amélia não tinha a menor vaidade". E demonstrava orgulho; "Amélia é que era a mulher de verdade". Já Eça de Queiroz, no "Primo Basílio", por se tratar de uma infidelidade conjugal, afirmou: "Por fim, ela e Basílio estavam nas condições melhores para obterem uma felicidade excepcional: eram novos, cercava-os o mistério, excitava-os a dificuldade".
No entanto, à proporção que o universo evoluía, a mulher foi acompanhando essa evolução, em seus aspectos sociais, culturais, científicos e políticos. Pois o machismo passou a se constituir uma distorção, por ser uma dominação. Muitos outros fatores também contribuíram para o surgimento da consciência "feminista", como a tecnologia - o trabalho da mulher fora de casa - o grande número de mães solteiras. O fato é que passou a existir uma nova consciência da força da mulher. E ela, conscientizada, já não mais aceitava continuar a ser um "objeto de cama e mesa". Como uma decorrência natural, essa conquista da cidadania da mulher, foi condicionada às transformações das estruturas no decorrer dos tempos, notadamente na segunda metade do século passado. Acentuando-se, também, pelo influxo liberalizante dos meios de comunicação social. Dessa forma com a expansão da feminilidade, o papel da mulher na relação amorosa atingiu o seu ápice nos dias atuais. Em que pese tudo isso, a mulher - principalmente a brasileira, incluindo as menos jovens - manteve o seu charme, sua sexualidade e o seu glamour.
