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18/05/2011A caixa-preta francesa, a caixa-preta brasileira - Rossana Claudya
18/05/2011
Publicado na Diario de Pernambuco - 18.05.2011
rossanaclaudya@hotmail.com
O povo brasileiro vem acompanhando, há algum tempo, a insistência das autoridades francesas para encontrar as caixas-pretas, do Airbus A 330 da Air France – que caiu no Atlântico em junho de 2009. O acidente matou 228 pessoas. A caixa contém o registro de voz dos pilotos na cabine da aeronave. Ao jornal Le Monde Thierry Mariani, o secretário francês dos Transportes, lembrou que esta foi a primeira vez que destroços de um avião são recuperados a tal profundidade. As operações de buscas, iniciadas no dia 26 de abril, estão sendo realizadas a 3.900 metros de profundidade, a cerca de dez quilômetros ao norte da última posição do avião conhecida nos radares. Na verdade a seriedade e o respeito que esse país vem dando ao fato é sem dúvida alguma, o elemento motivador do artigo.
Qual a diferença entre a caixa-preta de um país de primeiro mundo para um país de terceiro mundo? As diferenças mais sutis: o respeito às instituições, o cumprimento das leis, o sentimento nacional. Talvez não fosse demais dizer, que a França, não é simplesmente um país europeu de primeiro mundo. A França é a França de Robespierre, o precursor da revolução francesa, da queda do absolutismo e da declaração dos direitos universais. Nada mais coerente, que esse país, seja de fato um país, que respeite a dignidade humana, que respeite o seu povo! Porém, a busca pelas “caixas-pretas”, vai além do desejo de se saber o porquê dos motivos técnicos que motivaram a queda do avião, reflete também o desejo do governo francês em dar uma resposta às famílias das vítimas! Diferentemente do que ocorre em nosso país, onde o governo brasileiro nada fez de significativo para achar as tais “caixas-pretas’.
Ora, talvez a mera desculpa quanto à profundidade do oceano e a dificuldade de lá se chegar, sejam suficientes. Um país em que milhares de pessoas morrem todo ano, pelo mesmo motivo: falta de ações governamentais para se evitar enchentes, secas! A fora o elemento fortuito, há famílias que vivem abaixo da linha da miséria, se alimentam com as “sobras” jogadas nos lixões, notícias de que na Vila de São Vicente no estado de São Paulo, há inúmeras famílias vivendo em palafitas, cuja base para tais edificações é feita com sacos de lixos jogados ao rio, uma afronta a vida, um crime ambiental! No entanto, os escândalos com dinheiro público, não param de acontecer. Aqui o “auxílio paletó” em torno de R$ 40.000 é o escândalo da vez, no Rio de Janeiro uma Câmara de Vereadores adquiriu uma frota de veículos “top de linha” por míseros três milhões de reais, mas como diria o professor Raimundo: “e o salário mínimo” aqui se dá prioridade a parques, enquanto milhares de “D. Lindu” tentam salvar seus filhos das drogas, ou de uma bala perdida. Na Bahia uma funcionará, de uma determinada Câmara de Vereadores, ofereceu uma rifa aos vereadores, colegas de trabalho, cujo prêmio: “uma noite em uma suíte vip de um motel”. São essas cores que deixam a nossa caixa-preta, preta de vergonha!
