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18/04/2011A beleza salvará o mundo - Antônio Campos
18/04/2011
Publicado na Folha de Pernambuco - 18.04.2011
A célebre sentença do escritor russo Fiodor Dostoievski “a beleza salvará o mundo” e a ideia da arte como remédio para os males humanos é o tema do inspirado ensaio do búlgaro Tzvetan Todorov, recentemente publicado no Brasil pela Editora Difel.
Na atualidade, a beleza está associada a produto. Todorov, no entanto, vê-la como um sentimento de uma “realização interior”. Diz que a beleza não é algo que se vê, mas é algo que se vive. Para ele, a arte seria a busca obsessiva da beleza e, só ela, incorporada a um poema, a um concerto, a um quadro, a uma música, seria capaz de salvar o mundo. Salvar de quê? Da decadência, da fragmentação, do caos, da fraqueza humana, da precariedade. E a arte fica, permanece.
Em seu ensaio, Todorov centra o seu argumento em três grandes artistas: Oscar Wilde, Rainer Maria Rilke e Marina Tsvetaeva. O irlandês Oscar Wilde viveu em busca da beleza e, em seu célebre livro “O Retrato de Dorian Gray”, sintetizou, assim, o sentido da vida para ele: “é melhor ser belo do que ser bom”.
Para Rilke, o objetivo do poeta não é explicar o mundo, mas “vê-lo por dentro”. Para ele, o poeta se assemelha a um cão “que não deseja atravessar o mundo com o olhar, à maneira de um sábio, mas se instalar em seu interior”. Rilke foi o autor predileto da grande poetisa russa Marina Tsvetaeva, que traduziu para o russo as célebres “Cartas a um jovem poeta”. Para Marina, “a poesia é a língua dos Deuses. Os Deuses não falam, os poetas falam por eles”. “A arte não é uma emanação pura do mundo espiritual, é uma encarnação”, diz a poetisa russa. Defendia uma existência à luz da arte, sendo a beleza uma manifestação do Absoluto.
Sendo a beleza, antes de tudo, um sentimento, uma vivência, as pessoas podem se tornar belas e acender o sol de suas vidas ao dar sentido a elas. Pablo Picasso já dizia que: ”tem gente/ que faz do sol uma/simples mancha amarela./tem gente /que faz de uma/simples mancha amarela/ o próprio sol”.
Para Gibran, a beleza seria uma luz que vem do coração, também um sentimento. E a poetisa grega Safo de Lesbos, assim, sintetiza o tema em seu célebre poema “O belo e o bom”: “Quem é belo é belo aos olhos e basta. Quem é bom é subitamente belo”. Deixem o sentimento da beleza invadir as suas vidas, pois, as pessoas não nascem, mas se tornam belas.
