A advocacia nas urnas - Gustavo Henrique de Brito Alves Freire

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28/08/2009

A advocacia nas urnas - Gustavo Henrique de Brito Alves Freire

28/08/2009
A advocacia nas urnas - Gustavo Henrique de Brito Alves Freire

Publicado no Jornal do Commercio - 28.08.2009

Pilar de sustentação na afirmação cotidiana do Estado de Direito. Trincheira de defesa da liberdade. Parceira inseparável da cidadania. Adversária infatigável da corrupção, do clientelismo, do descaso com a coisa pública. Protagonista de momentos que ajudaram a definir e a moldar a identidade do povo brasileiro.

Tudo isso conta um pouco da história e do significado da Ordem dos Advogados do Brasil, cuja criação remonta aos idos da década de 30.

Falar da OAB é recordar a fundação dos primeiros cursos de direito, em 1827, por ato de grande coragem de Dom Pedro I (um em Olinda, no Mosteiro de São Bento, e o outro em São Paulo, no Largo do São Francisco), mas é também relembrar o Brasil que é capaz de se mobilizar não apenas em torno do futebol. Falar da OAB é resgatar na memória as muitas lutas que ela já travou para que caminhássemos até aqui, como durante a ditadura militar e o movimento pelo impeachment de Fernando Collor, mas também é falar da qualidade do ensino jurídico, que tem deixado muito a desejar.

Falar da OAB é homenagear o advogado, primeiro juiz de toda e qualquer causa, não raro também um psicólogo para o cliente.

Falar da OAB é falar as prerrogativas insculpidas na Lei 8.906/94, aqui e ali escancaradamente descumpridas, mas é também mostrar que o País tem jeito apesar de tudo e que é possível trilhar a avenida de um Estado avesso ao policialesco. Falar da OAB, outrossim, é falar de uma sociedade à espera e carente de verdadeiros líderes.

Em meio a todo esse contexto, novas eleições transcorrerão em breve na OAB em todo o País, para definição dos seus Conselhos Seccionais e respectivas diretorias.

O foco de disputa como tal, para além do aspecto corporativista, diante de tudo aquilo que se espera da OAB, há de estar concentrado no debate de ideias e de propostas, sob pena de se igualar a Ordem com tudo o que condena nas campanhas político-partidárias.

Ao advogado cabe a responsabilidade por essas escolhas. A sós com a urna eletrônica ou mesmo no voto manual, é sua, e de mais ninguém, a primazia dessa definição. Não há margem para arrependimentos. Escolheu, está escolhido. O relógio não torna a marcar as horas perdidas.

Certa vez já se disse que "o único local onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário". Verdade. E com a OAB, enquanto instituição, não haveria de ser diferente.

Se o eleitor possui consigo a convicção de que a OAB deve existir como voz permanente de liderança, engajada nos grandes debates, mas que também o ouça nesse liderar, então que escolha quem, efetivamente, guarda identidade com esses compromissos, e conhece na própria pele anseios e clamores que acompanham a grande maioria da classe.

A vivência do cotidiano, a independência, a capacidade para agregar a partir do diálogo construtivo, eis o que deve nortear o convencimento do eleitor, evitando escolhas infelizes.

E assim, na solidão própria do gesto, exercerei na urna o meu sagrado direito de voto nas próximas eleições da minha entidade de classe, da qual honrosamente sou filiado há pouco mais de 12 anos, torcendo para que prevaleça, ao final de mais esse processo, o melhor conjunto de propostas. Acima de tudo e das pessoas, vêm as instituições. Que nunca nos esqueçamos disso.
 

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