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Publicado no Diario de Pernambuco - 30.08.2010
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Estamos prestes a encerrar a primeira década do século 21. Seus primeiros dias foram ressonância das mazelas e virtudes do século 20, onde a humanidade viu surgir a União Europeia, o degringolamento do Império Soviético, o recrudescimento das divergências cristão-islâmicas, a explosão econômica asiática, a quase estabilidade econômica e política da America Latina e, lamentavelmente, o surgimento da Aids, sobretudo na África Negra. A Europa tinha um sonho de unidade desde o início do Século 20 e, apesar das idas e vindas, continua o sonho, às vezes interrompido pelas turbulências econômicas, a exemplo da crise de 2008. O Império Vermelho, representado pela extinta União Soviética, não poderia subsistir num mundo de comunicação globalizada, com as sociedades exibindo com transparência seus feitos e defeitos. A corrida espacial e armamentista, de largas repercussões econômicas, enfraquecia os atores da Guerra Fria, forçando-os ao diálogo, hoje representadopela crescente interação econômica e científica entre as nações líderes do planeta. As missões espaciais começam a serem desempenhadas sob o manto da multinacionalidade. Até o Brasil já tem seu astronauta... As comunicações são cada dia mais universalizadas pelos satélites e pela internet, conferindo grande facilidade ao trânsito das informações, quer sejam boas ou más.
O mundo islâmico desde as últimas décadas do século passado vem teocratizando seus estados, enquanto o mundo cristão seculariza suas sociedades e organizações políticas. O radicalismo e fanatismo religioso vem dificultando a tolerância religiosa com graves efeitos sobre o relacionamento entre as nações. Em algumas nações muçulmanas a intolerância religiosa sofreu lamentáveis retrocessos. Em quase todos os países judaico-cristãos a liberdade sexual é assunto privado, enquanto em alguns estados teocráticos e islâmicos essa mesma liberdade é apedrejada. No fundo as religiões são usadas como nariz de cera em contra-ofensiva às pretensões econômicas. O cristão critica a falta de liberdade e a lentidão nas mudanças dos costumes islâmicos e o Islã o excesso de liberdade e a velocidade das mudanças no mundo ocidental, que em matéria de sexo e mulheres já foi igualmente opressor. As atuais diferenças mascaram imensos choques econômicos, pretensões de hegemonia de povos sobre povos, atormentando o mundo como um todo. O atentado de 11 de Setembro de 2001 marcou, pelo medo, o início do século. O medo não é só dos americanos, ele atinge a todos, inclusive os que planejaram o ignominioso atentado. O desenvolvimento chinês aparentemente consolidado neste primeiro decênio é auspicioso. Exemplar. O sistema educacional chinês deveria ser observado pelas autoridades brasileiras para que as mesmas comprovassem que aqui, abaixo da linha do Equador, só existe no plano da educação o pecado da omissão. Sem educação a China não seria uma potência científica, econômica, espacial e militar. As potências asiáticas, desde a década de 60 do século 20, investiram em educação ehoje colhem os frutos. Tais investimentos não são comuns em nosso meio. Professores ganham menos que os flanelinhas de nossas ruas, as bibliotecas existem em pequeno número, as instalações escolares chegam a ser degradantes. Sem partidarizar, impõem-se medidas emergenciais, uma verdadeira corrida em busca de um futuro grandioso para esse povo tão gentil e hoje tão violento entre si.
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