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Publicado na Folha de Pernambuco - 30.08.2010 Tive a alegria de participar, na última quinta-feira, do lançamento da nova obra do escritor Frederico Pernambucano de Mello. Ele, com sua autoridade intelectual de grande pesquisador da temática do cangaço, reuniu informações, dados e curiosidades sobre a importância das vestes dos cangaceiros na árdua rotina dos “guerreiros do sertão”. O livro Estrelas de couro: a estética do cangaço, publicado pela editora Escrituras, contou com valioso prefácio de Ariano Suassuna.
Pernambucano foi apelidado por Gilberto Freyre, com quem trabalhou durante 15 anos, de “mestre de mestres em assuntos de cangaço”, faz um relato detalhado do início do cangaço, rotina dos cangaceiros, a religiosidade, até o conceito e contextualização dos trajes por eles utilizados. Além desses temas, Fred vai buscar o porquê de símbolos como o signo de Salomão, cruz-de-malta, da flor-de-lis, do oito deitado - considerado por matemáticos e cientistas como a representação do infinito - e de vários outros desenhos e combinações. São cores de uma aquarela que visa pintar a imagem, um tanto quanto vaidosa, de homens com espírito guerreiro e crentes em uma proteção mística.
A impressão que tive ao ler o livro de Fred Pernambucano é que tudo aquilo que parecíamos saber sobre o cangaço não é exatamente a realidade desse importante movimento brasileiro. A fé dos seguidores de Lampião e de tantos outros líderes é mostrada como algo sagrado para os “nômades sertanejos”. Orações cristãs, amuletos, figas, santos e vários rituais de meditação faziam parte da crença presente no movimento.
Outro detalhe que me chamou atenção foi o fato de nunca termos prestado atenção em cada um dos incontáveis detalhes das roupas típicas do cangaço. Os chapéus, muitas vezes, com botões de ouro e prata; as calças costuradas com tecidos resistentes e ao mesmo tempo macios; as cartucheiras, que mais pareciam cintos largos de couro bordado, mas que serviam na realidade para guardar facas e munições e os vários modelos de sandálias e sapatos de couro são alguns dos vários componentes dessa “fantasia de luta”.
A obra Estrelas de couro: a estética do cangaço faz uma profunda viagem nesse universo cultural desconhecido, através da leitura do requinte e dos significados presentes nas autênticas vestimentas dos cangaceiros. É o resultado da demorada, mas fascinante pesquisa desse, de nome e de alma, grande pesquisador e historiador pernambucano, que fica nos devendo o Museu do Cangaço como o seu próximo desafio.
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