Publicado no Jornal do Commercio - 24.08.2010
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“A história é um carro alegre, cheio de um povo contente, que atropela indiferente, todo aquele que a negue" (Canción por Unidad Latinoamericana - Chico Buarque de Holanda).
A preservação da memória empresarial tem sido uma preocupação cada vez maior das grandes organizações. Nesse cenário, a utilização de um projeto de memória corporativa vem se consolidando como uma ferramenta importante para o resgate e a valorização da história da empresa.
Entender melhor a empresa e seu ramo de atividade, as relações que mantém com seus clientes, observando tudo dentro de um contexto histórico, é um facilitador para as constantes transições internas e externas, dá subsídios relevantes para pensar forças, fraquezas e estratégias, contribui, enfim, para a construção do futuro da organização.
É fato que um projeto de memória corporativa representa esforço grande de toda a organização, envolvendo várias áreas e um investimento inicial elevado, com retorno a longo prazo. Entretanto, sistematizar a memória organizacional é uma ferramenta importantíssima à disposição da comunicação institucional. O retorno deste investimento é a redescoberta de valores, a fixação da marca, a identificação com a trajetória da empresa e a consequente criação de um planejamento estratégico voltado para o futuro.
Nesse contexto, o papel do projeto de memória corporativa é de, também, identificar o valor da instituição para o desenvolvimento do País.
Investir na memória empresarial representa um diferencial da empresa em relação aos concorrentes, já que ela se torna mais visível e com seu acervo disponível para melhor gerir seus negócios. O conhecimento dos valores culturais, sociais e históricos da organização serve de base, por exemplo, para a identificação dos profissionais alinhados com a cultura organizacional, facilitando, além de outros aspectos, uma política de retenção de talentos e, ainda, atraindo profissionais que se identifiquem com os valores culturais da empresa.
Várias têm sido as empresas que estão investindo no seu patrimônio cultural, a exemplo da Unilever, Bunge e Sul América (Valor - Eu&carreira - 23, 24 e 25 de julho). São empresas que, geralmente, existem há mais de 30 anos e estão em estágio avançado na área de responsabilidade social corporativa.
É fundamental que gestores e empresários estejam atentos à importância da memória corporativa como ferramenta estratégica de gestão. É importante ressaltar, também, que não apenas as grandes corporações podem ser beneficiadas com esse trabalho de resgate da história institucional. Todas as empresas socialmente responsáveis ganham ao ter sua memória preservada e incorporada ao organograma. Ignorar essa força competitiva pode significar o risco de ser atropelado pela história.
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