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Publicado no Diario de Pernambuco - 18.08.2010
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Quis o destino que fôssemos amigos. Ao longo dos anos nossos caminhos se cruzaram. Nascemos em Olinda. Eu, em 1936, na Rua Sol.Você em 1933, na ladeira de São Francisco, residência de Armando e Guiomar, seus genitores. Naqueles tempos, eram as parteiras que traziam as crianças a este mundo e, possivelmente, deve ter sido a mesma que nos trouxe. Possivelmente, o destino nos fez amigos em brincadeiras nas areias da praia ou nas missas dos domingos, em em São Pedro. Foi no Domingos Sávio, que você aprendeu as primeiras letras. Nunca mais, esqueceu a "professorinha"... Professorinha , sua paixão, lembrada e cantada na sua vida de boemia e alegria. Andamos juntos no Colégio Nóbrega. Era o destino que insistentemente tentava, nos aproximar. No bairro da Boa Vista, eu, na Gervásio Pires e você na Rua da Conceição, bem perto das funerárias, que marcaram época no Recife. A pioneira Casa Baptista e a Casa Agra, estimulando o seu interesse em prestarserviços aos conhecidos e amigos que "resolviam morrer". Nos anos 50, nós novamente andamos próximos . Frequentávamos a casa de amigos comuns moradores da Rua Marques de Amorim - Gildo Calábria, José Pessoa, Gilberto Marques Sousa, Romerinho e muitos outros. A Faculdade de Filosofia foi decisiva para consolidar nossa amizade.Amizade que cultivamos de forma firme e perene. Na Faculdade da Nunes Machado, dirigida por seu tio Monsenhor Sales, você se preparava na ciência matemática. Ainda, estudante cumpria a missão de assistir aulas dos matemáticos portugueses expulsos Salazar - Zaluar, Rui Luiz Gomes A. Brotas e alguns outros que se radicaram pelo Sul do país. Até eu, sem qualquer vocação para as Ciências Exatas, assistia as aulas ministradas pelo aluno brilhante que era você, aguardando a hora para nossas aventuras notívagas. Quis também o destino que nos tornássemos parentes, eu casei com Marlene e você com a irmã dela Eremita. Da época de solteiros, fica a lembrança das noites no "Savoy", das madrugadas na"Five O Clock" e Maria Magra, na Marquês de Olinda. Onde você mostrava para as meninas sua voz maviosa, cantando Perfídia e sua inesquecível Professorinha. Nunca vamos esquecer a noitada de apresentação num cabaré de Aracaju -com Maria 38 e seus seguranças. Já casados, aos sábados, pela manhã íamos jogar "sinuca" e ping-pong, na Maciel Pinheiro.Os domingos eram reservados para o programa familiar casa de dona Zefinha, nossa "sogra", praia, um futebol, cervejas e vodka. Você lembra do nosso Lagoa Gatense Informativo da família Lyra que juntos editávamos. Os que aqui ficaram não esquecem. Somos "bicomprades" você, padrinho de Carlinhos e eu do seu filho Henrique. Casados, tivemos que morar sob o mesmo teto no Edifício Capibaribe, primeiro porque não saía o seu pagamento da verba três e, na segunda vez, no Solar do Matapagype, por conta da cheia de 1975, que destruiu sua casa. E mesmo com tantos meninos (sete), Marlene e Eremita e aderentes, havia harmonia e amor na naquele lar. Você notabilizou-se nas rodas deamigos como aquele que sempre estava pronto para a árdua tarefa de organizar as cerimônias da morte - "o coveiro" do Lagoa Gatense. Pena! Partiu cedo. Eu tive que levá-lo à ultima morada, seguindo o ritual combinado - "alça esquerda do ataúde" - com Flávio, Taciano e Henrique juntos, Carlinhos, seu afilhado, estava em viagem de negócios em São Paulo. Cumpri o prometido. Foi o seu sepultamento o último de quase 100 contados e registrados em seus alfarrábios. Papai, uma irmã e mamãe - tiveram o serviço completo prestado por você. Sempre solidário com amor e alguma satisfação do dever cumprido. Até a revista Veja divulgou uma entrevista contando suas bravuras funerárias. Theophilo, você reencontrou Eremita, seu Armando, D. Guiomar, Armandinho e Guiomarzinha, o companheiro Naldo Halliday e, muitos amigos e rotarianos. A esta altura, você deve estar organizando a instalação do Rotary celestial e, separando algumas classificações, para "futuros sócios" previamente incluídos no seu famoso caderno negro. (!). Amigo Theophilo até a vista...
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