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Veículo: Diario de Pernambuco Caderno/Coluna: Vida Urbana Data: 06.07.2011
JAILSON DA PAZ
Em duas universidades, a Focca, em Olinda, e a Facig, em Igarassu, nenhum estudante passou no exame Seis em cada dez faculdades de direito de Pernambuco tiveram menos de 10% dos alunos aprovados no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). E duas delas, as faculdades de Olinda (Focca) e de Ciências Humanas e Sociais de Igarassu (Facig), aparecem na lista das 90 instituições de ensino superior sem nenhum aluno aprovado. O teste da OAB, o mesmo em todo o país, funciona como pré-requisito para o bacharel em direito exercer a advocacia.
A média de reprovação no estado ficou no mesmo patamar do nacional: 88,2%. Esse foi o pior dos índices registrados pela OAB nos três exames referentes ao ano passado. No primeiro deles, contabilizou-se 84,7%. O segundo número, de 85,4%, representa quase três pontos percentuais abaixo dos dados divulgados esta semana. “A situação preocupa”, resumiu o presidente da OAB - Pernambuco, Henrique Mariano. Os dados mostram uma deficiência no ensino. Não apenas no estado, mas no país, o que exigiria, segundo ele, uma maior fiscalização dos cursos de direito pelo Ministério da Educação. O pensamento de Henrique segue a lógica da OAB nacional, que repassou para a Fundação Getúlio Vargas (FGV) a tarefa de elaborar o exame. O teste é dividido em duas fases. Na primeira, os inscritos respondem a questões múltiplas. A segunda é uma peça prática. Nela, o candidato precisa mostrar seus conhecimentos em respostas abertas.
Passar no exame, como comprovam os resultados oficiais, é tarefa difícil. Rodrigo de Moura Barbosa, 28 anos, tentou pela segunda vez. Saiu-se bem. Para ele, o que mais pesa é a extensão do teste, especialmente na segunda fase. “O inscrito sem habilidade de lidar com a legislação perde tempo nas consultas”, esclareceu. Rodrigo cursou direito na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), instituição com o terceiro maior percentual de aprovação no estado (22,22%) e primeira em número absoluto de aprovados (108).
A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) ocupa o topo do ranking de aprovação. Dos seus 114 inscritos, 61 obtiveram a chancela para advogar. Isso totaliza 55,45% de aprovação, o que a coloca como o décimo melhor índice do país. As nove instituições a superar o saldo positivo da UFPE são todas públicas, sendo a maioria federal. No rol de Pernambuco, ainda aparecem em situação melhor as faculdades Damas, Ciências Sociais Aplicadas e Sociais de Petrolina (Facape) e Boa Viagem. Damas ficou com a segunda maior média (28,57%). As outras foram, respectivamente a quarta e quinta colocação, com 18,39% e 18,18%.
No outro extremo, além da Focca e da Facig, o Instituto de Ensino Superior de Olinda (Ieso) e a Faculdade de Ciências de Timbaúba (Facet), por exemplo, tiveram resultados pífios. Menos de 2% dos alunos dessas duas faculdades passaram no exame. Por dados assim, a OAB defende que o MEC cheque se as faculdades estão colocando em prática, de fato, os seus projetos pedagógicos.
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