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Publicado no Jornal do Commercio - 05.03.2010 Segundo a imprensa, o prefeito João da Costa estaria cogitando de promover, em 2011, um pós-Carnaval durante um curioso período de sete dias, o tempo que Deus levou para criar o mundo e descansar. Os principais objetivos dessa hipotética iniciativa seriam, ainda de acordo com o que foi noticiado, segurar ou atrair turistas e, em decorrência, fazer com que viesse a haver um prolongamento da circulação de riquezas produzida pelos festejos momescos, com suposto benefício para todos os recifenses. Na teoria, maravilha! Mas essa ideia está longe da unanimidade. Não há sombra de dúvida que o Carnaval, sob múltiplos aspectos, é um acontecimento importante, bastando destacar aqui suas implicações culturais e econômicas. Mas o Carnaval, como tudo na vida, tem um tempo, um tempo que o torna único e lhe dá especial significado. E é isso que move as pessoas em torno dele. Foliões ou não foliões. Governantes ou governados. Um Carnaval extemporâneo, que banaliza o Carnaval tradicional, necessariamente não proporciona os mesmos dividendos políticos do Carnaval verdadeiro. Nem os seus ativos econômicos. A maior parte dos turistas terá ido embora, outros não virão substituí-los, o dinheiro terá acabado, as prioridades das pessoas terão mudado. Será um "carnaval" de poucos e para poucos. No entanto, os passivos serão os mesmos: custos gravosos com o sistema de segurança, com a coleta de lixo, com o uso de equipamentos caros, com o pagamento de cachês artísticos e outros similares, inerentes a esse tipo de evento e pagos, em grande parte, com dinheiro público. Recursos que certamente teriam melhor destinação. Em resumo, enquanto o Carnaval verdadeiro reveste-se de um equilíbrio entre ativos e passivos, financeiros e sociais, esse "Carnaval" fora de época - uma reedição repaginada do criticado Recifolia - seria claramente desprovido desse equilíbrio. Equilíbrio cuja régua de medição deve levar em conta o interesse coletivo, considerando as perturbações que esse tipo de iniciativa costuma provocar na vida da cidade e de seus habitantes, aí já inaceitáveis, porque, afinal, o Carnaval verdadeiro terá acabado, o ano começado, será hora de todos voltarem a trabalhar..
Se nosso operoso prefeito teve realmente essa ideia - acredito que não - espero, como cidadão, contribuinte e recifense, que pondere os prós e contras antes de tomar essa polêmica decisão.
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